segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O que existe de verdade nas escrituras?


Há pouco descobri que tenho um problema de refluxo. Uma endoscopia diagnosticou meu problema e comecei a tomar um remédio chamado omeprazol. Tomar este remédio tornou minha vida muito melhor. Acredito que o que existe de verdade nas pessoas, nas coisas e nas palavras, só podem ser descobertas se forem experimentadas. Não há como saber se uma lasanha quatro queijos é realmente gostosa o quanto parece aos nossos olhos, senão a colocarmos na boca. Não acredito nas verdades teóricas. Acredito na praticidade e naquilo que é real em nossa vida. É como ler a bula e achar que isto irá realizar o bem que está no remédio. Isto é um pouco idiota se olharmos na praticidade, mas quantas pessoas não vivem desta forma espiritualmente?
Quantas pessoas sabem todas as contra-indicações da mentira, entretanto mentem. Sabem todas as reações adversas da ansiedade, mas estão roendo as unhas por coisas ridicularmente pequenas. Não é por falta de saber o que é certo e errado que estamos padecendo, mas pela nossa dificuldade em por em prática aquilo que julgamos correto.
Não há como descobrir uma verdade se não diagnosticarmos nossas mentiras. Não existe tratamento para uma doença desconhecida.
Se encararmos as escrituras apenas espiritualmente, deixando de lado a praticidade, ela se torna apenas um livro místico com muitas coisas a serem questionadas.
Posso bancar o espiritual, mas ainda tenho grandes dificuldades quando imagino um homem dentro de um peixe por três dias, entretanto, minha fé não está alicerçada nas minhas duvidas, nem nas experiências dos outros, mas naquilo que eu mesmo vivi e experimentei, e que pude compreender que é verdade. Enquanto o homem tentar enraizar sua espiritualidade nas experiências dos outros, nos milagres dos outros, nas curas dos outros, jamais será alguém realmente convicto daquilo que crê.
Não é certo viver alicerçado na experiência de Jonas dentro do peixe, nem de Jó depois de perder tudo, sob pena de viver uma fé religiosa, mas pouco verdadeira.
Então quando as névoas do misticismo são abandonadas pelo olhar prático e real, as escrituras são proveitosas para o ensino de todo homem.
Certamente ficar sabendo que omeprazol faria bem para mim não mudaria muito minha vida. Entretanto, quando aceito o tratamento e o realizo minha vida melhora significativamente. Assim é a caminhada com Deus.
Saber que devemos amar o nosso próximo qualquer um sabe. Entender que temos que ter paciência com nossas esposas quando estão no supermercado todos sabemos. Sabemos também que é bom perdoar e esquecer as coisas ruins do passado.
Quantas coisas nós sabemos? Mas quantas nós aplicamos?
A verdade que encontrei nas escrituras é algo pessoal, até porque talvez você não tenha refluxo como eu. As minhas debilidades e fragilidades são muito individuais e não servem de fundamento para a fé de ninguém. Acredito que,  por isso as pessoas estão padecendo, porque estão esperando que aconteça em suas vidas, aquilo que viram acontecer na vida do próximo. Cada ser humano possui um tratamento especifico, e para cada homem existe uma medicação ideal. A fé é uma certeza que só pode ser plena e verdadeira se for realmente experimentada. Esta visão desfocalizada que fé é sinônimo de milagre está errada. A fé é uma escolha burra de perder muitas coisas, e acreditar que na verdade está ganhando. É amar antes de ser amado, é dar sem querer receber, é perdoar mesmo sem ser perdoado. O homem que tem fé realiza o bem sem estar algemado na reciprocidade do beneficio próprio. A verdade que existe nestas palavras jamais poderá ser descoberta se nunca for praticada. A minha experiência diz que é verdade perder, porque ganhei coisas muito melhores e mais excelentes, entretanto, para você isso nunca passará apenas de uma história mística que alguém vivenciou. Só Pedro andou por sobre as águas. Enfim, cada um tem o seu barco, a sua vida e o seu mar, entretanto, caminhar por sobre as águas é uma decisão que somente quem encontrou certezas através de suas experiências está apto a realizar. Eu acredito nas escrituras porque elas me mostram quem realmente eu sou como nenhum outro livro, e esta intima verdade sobre minha essência é eficaz para me tornar alguém melhor.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O que o futebol e a política tem em comum?

Há pouco mais ou menos dois meses o Brasil assistiu uma votação extraordinária em Brasília. Em cinco minutos os políticos votaram seus próprios salários com aumentos que todos nós um dia sequer sonhamos em receber.
Tudo bem, eles se sentiram nessa obrigação afinal de contas, seus auxílios, suas horas intermináveis de trabalho, suas segundas e sextas de folga, não estavam dando no orçamento familiar. Tudo bem, já estou acostumado com essas coisas, entretanto, olhar para este cenário de homens engravatados e “preocupados” uns com o orçamento do país, e outros com o orçamento do povo, me faz rir.
Porque há dois meses não houve esta preocupação? Porque eu e você iremos pagar 2 bilhões a mais por ano para nossos “trabalhadores” que agora jogam futevôlei nas praias do Rio de Janeiro?
As vezes fico pensando que se a torcida do Corinthians e do Flamengo se indignassem com os políticos como se manifestam contra seus times, teríamos um novo Brasil.
Mas por quê? Porque o brasileiro é tão passivo? Porque somos capazes de brigar por uma vaga no estacionamento, perder a cabeça pelo do time do coração, arranjar confusão por causa da namoradinha do colégio, mas somos tão idiotas e passivos na hora de cobrar uma postura digna de nossos governantes?
Fico pensando. Quantos de nós não queríamos ser um funcionário fantasma para ganhar uma graninha por fora? Quantos de nós nunca pensamos em estar envolvido nesta mamata? Em vez de repudio por estas pessoas, na verdade, o povo tem inveja e gostaria de estar no lugar deles, realizando as mesmas coisas que eles.
Ou você nunca teve problema com o sindico com notas frias? Ou você não conhece um colega de trabalho que se aproveitou de uma liderança? Ou não estamos rodeados da mesma essência que está no senado e na câmara?
Gente! Vamos parar de reclamar dos políticos, porque eles são apenas a representação do que, no fundo no fundo, todos nós somos.
Um povo que visa o beneficio próprio, independente do que possa acontecer ao outro.
Os “famosos” no Brasil lavam suas mãos nos “crianças esperanças” e como Pilatos naquela tarde no Sinédrio, saem de cena com ar de heróis, e muitos destes mesmos que pedem paz e justiça, estão fumando maconha e cheirando cocaína nas festinhas dos sábados a noite.
Este povo brasileiro que tanto se gaba de ser trabalhador, é na verdade, um povo que precisa repensar, e ter um olhar mais verdadeiro para dentro de si, porque estou cansado dessa história que o outro é injusto, o outro é ladrão, e eu sou uma vitima.
As vitimas estão morrendo de fome, de frio e vivendo em cima dos lixos, e volte e meia, acordam com a casa cheia de terra.
Enquanto nós estamos preocupados com o clássico de domingo, eles estão nos seus iates, em seus apartamentos luxuosos, estão fumando charutos importados e viajando com seus familiares para fora do Brasil!
Ah, e o Ronaldo o maior jogador de futebol da história do mundo encerrou sua carreira bem agora que sofreu uma série de ameaças e “reivindicações” violentas. Uma coincidência! Talvez se o povo brasileiro amasse a justiça e priorizasse seu futuro muitos políticos estariam encerrando suas carreiras rapidinho.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Solução financeira!!! Vale a pena ler!

Em dias em que o sagrado está sendo comercializado e oferecido como a solução dos problemas financeiros do mundo, não pude deixar de pensar sobre este assunto, afinal, não é dando que se recebe?  Muitas das palavras que Jesus usou no intuito da plenitude da vida foram transformadas como num passe de mágica a segredos financeiros, a palestras motivacionais, e até a chavões supersticiosos.
Essa metamorfose humana na hora de enxergar a vida e as oportunidades, acabou mudando nossas concepções de vida e este homem que sempre esteve dando as cartas neste mundo, se encontrou vitima de seus próprios sonhos. O homem então que sempre acreditou estar vestido de vestes reais, encontra-se na verdade como um maltrapilho vulnerável a qualquer literatura, a qualquer segredo, a qualquer superstição, a qualquer milagreiro, a qualquer verdade. O ser humano está sofrendo pela transformação das suas prioridades. Quanto mais rico o homem está se tornando, mais miserável está ficando, e isso é totalmente o inverso daquilo que sempre sonhamos, não é mesmo? A matemática não é o dinheiro e a riqueza estarem lado a lado?

Não pude deixar de ir ao encalço de Jesus para ver a transformação financeira na vida das pessoas que se encontraram com Ele, e confesso que fui surpreendido com esta humilde procura.
Uma única e rápida passagem na escritura mostra Jesus usando seu poder para angariar recursos. E isto para pagar um imposto pelo qual ele estava isento.
Diante de todas as circunstancias a única pessoa que arrancou uma moeda de Jesus foi um cobrador de imposto, o resto dos homens, ficaram com as mãos vazias.
Até Jesus sofreu com os impostos!
Para quem ainda não sabe, Jesus mandou Pedro pescar um peixe, e dentro daquele peixinho existiam 2 moedas. O imposto de Jesus e de Pedro. Jesus demonstrou com simplicidade e um pouco de desprezo que Ele é capaz de arranjar recursos da forma mais inusitada e impressionante que podemos imaginar.
A minha pergunta é: Se Jesus veio a este lugar chamado terra trazer plenitude, alegria e eternidade ao homem, porque ele logo não falou sobre dinheiro? Porque não falou logo como tínhamos que ficar ricos e milionários, para que pudéssemos deixar a angustia, a tristeza, e as agruras desta vida? Não é essa a literatura que tanto procuramos?
Algo está errado nisso tudo. Nós encontramos a solução de nossos problemas na mega-sena, mas Jesus oferece uma outra forma do homem se ver livre desta vontade eterna que chegue o fim de semana, o fim do ano, o fim da empreitadas. O homem encontrou no final das coisas o fim de suas angústias. Alguns acabam o casamento, outros saem de seus empregos, outros desistem de um curso, e depois descobrem que o fim não tem este poder terapêutico que tanto sonham. Alguns enrolam uma corda no pescoço com esta promessa que o fim é a melhor saída para tudo.

Se nós encontramos na matéria aquilo que conforta nossa alma, porque Jesus ofereceu o abstrato? Olhando nesta perspectiva é fácil compreender que alguma coisa está errada. Ou é a nossa forma de entender o que é felicidade e plenitude, ou Jesus estava redondamente enganado.
Vamos ver.
Quando Pedro e André foram chamados por Jesus, a primeira coisa que ficou para trás foi o barco e uma rede repleta de peixes. Zaqueu um cobrador de impostos, devolveu 3 vezes mais às pessoas que havia defraudado. Mateus um outro cobrador de impostos deixou sua coletoria lucrativa para viver à custa de cinco pães e dois peixinhos, colhendo espigas em plantações para se alimentar. E quando Jesus esteve em Gadara, os criadores de porcos perderam todos os seus porcos que se precipitaram em um despenhadeiro, porque o Nazareno estava preocupado com a dignidade e a liberdade de um mendigo qualquer.
Os homens que caminharam com Jesus não estavam melhorando financeiramente, nem mesmo prosperando seus negócios à custa da proximidade com Cristo. Pronto, falei!
Ao contrário da religião que ficou rica à custa da pobreza e da ignorância de seus fieis, Jesus nunca foi privilegiado quando alguém compreendeu suas falas.
Senão, Pedro e João teriam dado moedas para aquele pedinte na porta do Templo. Pedro olhou para o mendigo e balançou os bolsos vazios dizendo: Não tenho ouro nem prata...
Mas Jesus não deixou nem mesmo uma moedinha para os caras começarem a construir alguma coisinha?
Nada! Jesus partiu sem se preocupar com recursos financeiros de seus seguidores, porque os deixou ricos e isso eles descobriram depois. O que o mundo tenta barganhar, a igreja comprar, os religiosos contrabandear, aqueles homens tinham dentro dos seus corações, porque haviam perdido muito, mas haviam ganhado o tudo.
O homem não pode cair nesta tentação em que a religião tropeçou. Em trocar o peixe pela moeda que tem dentro. Em passar uma vida dando moedas aos mendigos porque não tem outra coisa para oferecer ao próximo. Por isso que este mundo está caminhando para os abismos da tristeza, da desigualdade e da miséria. Ou está faltando ouro e prata neste mundo? Em qualquer criança esperança não se reúnem milhões de reais facilmente? Nas tragédias não existem doações? O que está faltando, ao contrário do que todos pensam, são homens sem nada para dar, mas com tudo para oferecer.
Entretanto, os homens querem ter tudo, sem ser nada, e esta matemática não existe na eternidade. Quanto mais o homem é, menos ele precisa ter para ser feliz, e nessa balança quem sai ganhando é a humanidade. Jesus não estava fazendo alusão a pobreza, mas resgatando a felicidade e a alegria em suas essências. Estava o mestre desenraizando a felicidade das moedas, e a colocando no lugar certo.
A presença de Jesus ao contrário do que muitos acham traz mais prejuízos do que lucros. Por isso os gadarenos pediram para que Jesus se retirasse de suas terras, porque a presença de Deus naquela terra, para eles significava perda. Mas infelizmente ou felizmente Jesus está preocupado mais com a vida do homem, do que com a empresa do homem. Está mais preocupado com a tristeza do individuo do que com a saúde da instituição. Jesus não tem compromisso com empresas, com estabelecimentos, com indústrias, nem com governos e até mesmo com o casamento Jesus não demonstra muito interesse. Ele está realmente preocupado com aquilo que está por detrás disso tudo. O homem. Existem poucas palavras sobre casamento na palavra de Deus, o que realmente existe em abundancia são cuidados com o marido e com a esposa. Enquanto os homens querem salvar o casamento e a empresa, Jesus querendo salvar o homem e a mulher que estão morrendo por detrás disso tudo.
Jesus também provou ao homem que dinheiro não é problema, e para isso ele é um artista na hora de encontrar recursos.
Ele viveu sem precisar dele, e quando precisou o encontrou sem muitos problemas. O mais difícil é fazer o homem entender que mesmo tendo uma manada de porcos, tudo isso pode ir ao despenhadeiro em favor do seu coração e da sua alma. Jesus estava comprovando ao homem que a instituição é menor do que o ser humano, e que tudo pode se perder, para que uma alma possa se encontrar.
É mais ou menos como Jó. O mau ainda consegue tocar naquilo que temos, mas jamais conseguirá furtar aquilo que somos. Por isso Jesus ofereceu o Ser que é cheio de atributos invisíveis que se materializam em sorrisos, em abraços, em beijos, em lembranças. Todo homem cheio de atributos divinos é rico, não porque é um espiritual metido a besta que vive com a cabeça baixada virada para alguma lugar, mas porque compreendeu que a felicidade, a alegria, a plenitude, não são compradas, nem financiadas. Não se encontram nos shoppings, nem nas viagens, nem nas ilhas gregas e muito menos nas coberturas duplex.
Enquanto uma multidão de homens delega “benção” para aquilo que está na boca do peixe, acredito que a palavra “benção” seja muito mais do que uma moeda. A benção de Deus é quando o homem tem mais do que ouro e prata ou uma nota de 2 reais para oferecer.
O homem que encontra no ouro e na prata a única forma de ajudar o outro é porque não tem de si para compartilhar, e esta pobreza existencial que Jesus queria que nenhum homem vivesse. Esta pobreza nos traz tristeza, angustia, e inquietude. É um vazio estranho de compreender que não somos importantes na vida de ninguém, e isso é o maior desalento que um homem possa viver.
É nobre repartirmos o que temos, mas muito mais nobre é dividirmos o que somos com quem está do nosso lado. Esta ultima ação é a mais difícil do que a primeira, porque remete ao homem ser algo verdadeiro e concreto. Quando isso acontece deixou o homem a miséria do apenas “eu tenho”, para a riqueza do tudo que “eu sou”.
O jovem rico foi o único homem que continuou rico depois que se encontrou com Jesus, entretanto, seu nome ficou no anonimato, sua história foi esquecida, e sua trajetória foi apagada pela ferrugem do tempo.
Descobri que todos os homens encontrados com Jesus realmente poderiam ter ficado mais ricos. Certamente Zaqueu perdeu grande parte da sua fortuna, entretanto, ganhou paz, um sono tranqüilo, respeito da comunidade, e dignidade em sua família. Pedro e André poderiam abrir uma peixaria com aquela ultima pesca maravilhosa, e vender os peixes com a marca “jesus”, isto certamente iria surtir grandes resultados financeiros. Mas se arriscaram no mar da dignidade, da fé, e da concretização do chamado feito para suas vidas. Foram pescadores medianos e desconhecidos, mas entraram na história como apóstolos, e mestres. Sabiam o que era navegar, mas somente com Jesus puderam entender o que é caminhar por sobre as águas.
Mateus certamente foi a falência, mas seu legado, e suas palavras jamais serão esquecidas. Todas as vezes que abro a minha Bíblia e lá está escrito Mateus, é porque alguém decidiu perder sua empresa, para que este mundo pudesse ganhar vida.
Certamente um testemunho de riqueza não é a forma mais adequada de demonstrar o poder, o amor, e a graça de Deus na vida de ninguém, porque o poder de Jesus é realmente demonstrado naquilo que o homem está disposto a perder e não a ganhar.

Jesus queria oferecer ao homem uma caminhada alegre e plena, e não uma eterna busca do fim de semana. Queria Jesus que o homem vivesse a semana com o entendimento da beleza da vida, da complexidade dos sentimentos, da essência do amor. Mesmo na segunda-feira chuvosa, ou numa quinta feira nublada. Mesmo no começo ainda difícil de um emprego, ou na metade de um casamento. Mesmo nas primeiras semanas de março. Tudo isso porque não estão em dezembro nossas alegrias, nem mesmo nos sábados a noite a nossa felicidade. Não está nos porcos, nos acúmulos, nos carros. Quando o homem perde seu tempo deixando a semana ruir em busca dos seus sábados, os anos passarem em busca de seus dezembros, o tempo voa, e eis aqui uma riqueza verdadeira.
Por mais que o homem perca todo seu dinheiro, ele poderá ganhar tudo de volta.  Entretanto, o homem que perdeu seu tempo, perdeu sua vida, e isso o homem jamais poderá reviver outra vez.
O tempo não é reciclável. O tempo não é negociável. Jesus queria mostrar ao homem esta riqueza infinitamente maior.  Tudo que o homem vive, jamais poderá viver novamente. Estes minutos que você perdeu lendo este texto jamais voltarão.
Aprendi com Jesus que a riqueza em suas essência é aquilo que quando perdemos, jamais poderemos recuperar novamente.

Aquele que rejeitou financiar a atenção humana teve sua vida negociada por trinta moedas de ouro. Enfim, o homem pode estar fazendo este mau negocio na hora de encarar Jesus. Tentando ter sua intimidade para depois a revender por algumas moedinhas à custa de suas barganhas, promessas e propósitos.
Este fim a gente já conhece...

Podemos pensar nisso.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pensamento positivo

A luz e as trevas


Mateus 6; 22-23

Muito antes de vivermos esta revolução da força da mente Jesus já estava ensinando como enxergar a vida. Enquanto o mundo está impressionado com o poder da mente humana, Jesus disponibilizou este segredo ao homem, para com um fim apenas: que o homem conseguisse ser feliz e pleno aqui na terra. Nesta fala de Jesus não existe nada de espiritual nem mesmo celestial. Assim como estamos descobrindo ao passar destes dias, diferente do que muitas pessoas pensam, o Cristo, se preocupou com o bem estar e a felicidade humana, até porque aquilo que é terreno se reflete no que é eterno.
Jesus estava afirmando que deveríamos olhar para as coisas com bons olhos. Enxergar até mesmo nas circunstancias mais difíceis e nas pessoas mais complicadas algo positivo. Este olhar que garimpa virtudes nos outros é uma forma de viver com otimismo. O homem otimista é aquele que enxerga luz até mesmo onde existem trevas. É alguém motivado a descobrir, e a romper com os desafios. O homem otimista é empolgado a realizar, porque não encontra barreiras em si mesmo para agir, para amar, para realizar, para construir. Os grandes homens deste mundo foram homens com bons olhos em meio às crises existenciais e financeiras. Foram pessoas que diante das controvérsias da vida continuaram com um olhar de esperança e esta forma de ser ilumina todo o viver. O homem cheio de medos e de receios consegue enxergar uma sombra até mesmo nos dias mais ensolarados, enxerga uma ruga até mesmo no rosto de uma criança. Quem vive na perspectiva de encontrar defeitos, dificuldades e impedimentos, vive sobre a eterna escuridão do pessimismo.
Essas trevas engessam o homem sob a perspectiva da tragédia, e enjaulam o crescimento humano em todas as áreas. Um homem enjaulado no pessimismo realiza em primeiro lugar o pensamento: E se der errado?
Os olhos luminosos enxerga a vida e as possibilidades e se pergunta: e se der certo?
O que mais me fascina é compreender que Jesus estava realizando falas e ensinamentos que hoje são a mais pura modernidade. Como enxergamos a vida, as pessoas, as possibilidades, as dificuldades, as oportunidades, e até mesmo as enfermidades, tem o poder de rotear nossos nortes.
Quem nunca foi enganado pelas trevas dos seus olhares? Quantas vezes fui surpreendido por alguém que, sempre enxerguei da pior forma, e depois descobri ser uma pessoa maravilhosa.
Uma forma luminosa de se olhar para o outro inocenta boa parte das pessoas que não gostamos. As trevas na bem da verdade não estão com elas, mas estão em todo nosso corpo, porque nossos olhos foram seduzidos pelo pessimismo das sombras. Essas sombras nos fazem olhar para as oportunidades da vida com dúvidas e receios. Esta escuridão nos impede de encontrar as virtudes do outro. Quem enxerga a vida com estes olhos sofre, porque somente consegue ver o mau, a miséria, o descaso, a tristeza, as rugas, as gorduras, as favelas. Quem tem olhos bons vive uma vida melhor, mais confiante, vendo as tristezas e angústias deste mundo, mas de forma alguma renegando as belezas e maravilhas deste planeta. Consegue visualizar a beleza das coisas mais simples desta vida, e ser feliz mesmo que seja dentro de uma casa simples e tendo como condução um ônibus lotado. Quem está na sombra se acostumou com a beleza de uma orquídea, com as cores de um pássaro, com as águas cristalinas de um rio, com o sorriso de um recém nascido, com a aurora de um dia ensolarado. Quem enxergou a existência sob esta perspectiva viu a vida passar depressa, perdeu oportunidades, não viveu experiências, não se arriscou nas empreitadas, viveu relacionamentos mornos, e jamais compreendeu na totalidade o que é viver.
Se não há crença em Jesus, pelo menos precisa existir o entendimento de que este homem mudou a forma do homem pensar e agir.
Não há como sairmos desse sermão da montanha sem compreender que nós construímos o ambiente que vivemos. Nós criamos a beleza das pessoas que convivemos, e nós mesmos edificamos a grandeza daquilo que cremos.
Ou não passamos a vida buscando encontrar pêlos nos ovos?  O homem na verdade tenta desesperadamente encontrar as trevas do outro para inocentar as trevas que existem em si mesmo. Esta fuga relata nossa miséria, e a busca desenfreada que temos em justificar os nossos erros em vez de descobri-los e lutarmos contra eles. Nossas trevas, nossa vaidade, e nosso descaso na hora de olhar para nós mesmos, são os sintomas do pessimismo que olhamos para o mundo encolhendo os ombros e dizendo: o mundo está acabando!
Se esta é a forma de enxergar o seu mundo, talvez ele esteja realmente se encerrando. Entretanto, para os otimistas, existe uma esperança porque todo homem que crê em Deus, pode realmente fazer a diferença neste mundo e o transforma-lo em um lugar melhor.
Com a luz é fácil enxergar aonde estão as trevas do nosso ser. E não há como negar, todo homem possui um lugar aonde o sol jamais chegou. Encontrar nossas sombras, isto é um desafio.
Deus disse em outras palavras: Eu Sou do tamanho que você acredita que eu Sou.
Se o homem enxergar Deus com a possibilidade de grandeza e de poder, assim Ele será, porque tudo nesta vida é realizado de acordo com o poder que opera no homem, e esse poder emana da forma que ele vê, olha e enxerga o mundo, as oportunidades, as pessoas e principalmente Deus.
Os nossos olhos denunciam nossa fé, nosso amor, nosso querer, nossa vida. Quem revela um olhar apaixonado encontra a beleza, e mesmo sem trocar de casa, de carro, de celular, e de mulher, alcança aquilo que sempre procurou. Ser feliz.
Isso é o milagre de Jesus. Transformar a vida do homem, sem mudar aquilo que ele tem.
Esta metamorfose humana começa nas retinas e córneas daqueles que querem realmente descobrir o melhor de Deus aqui nesta terra.

Enfim, se os teus olhos forem bons, a vida será boa, as pessoas serão melhores, o mundo será mais bonito. Acho que precisamos repensar a maldade que está por detrás das nossas retinas.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O lobo que existe em mim!

Αγαπώ τον Ιησού

Durante vinte dias estou lendo e pensando no Sermão da Montanha. Acho que se passei tanto tempo nesta Montanha cheia de tesouros, posso então tomar cinco minutos do seu tempo para compartilhar contigo coisas novas que descobri a beira deste monte.

Espero que você realize uma viagem através destes textos que dividi em algumas páginas.

Boa viagem!


Mateus 7; 15-23

O sol já estava se pondo, e Jesus o mestre da sabedoria depois de tanto estreitar o caminho para o céu, deixa para o fim do sermão uma fala intrigante.Os falsos profetas.
Porque, então, Jesus falou a cerca de quase todas as coisas e atributos da vida humana e decide finalizar desta forma?

A respeito de tudo que Jesus falou até agora sempre existem dois paralelos. O que eu acho que é verdade, e o que é realmente verdade. Envolvendo-me com o texto e o contexto do sermão da montanha facilmente fui desmascarado, e jamais me senti tão humilhado como nestes dias. Humilhado em primeiro porque jamais havia realmente descoberto o que havia por detrás destas palavras de Jesus, e em segundo, porque estou desalinhado com muito daquilo que sempre achei que estava certo. Certamente a sabedoria de Jesus estava conduzindo aquele povo para uma viagem que ia muito além de apenas algumas palavras e frases a serem sublinhadas em nossas bíblias. O mestre estava entregando de bandeja alguns segredos do reino de Deus e do reino dos homens. Entretanto, o que consegui observar em meio a este passeio a beira do Sermão da Montanha, é que sem uma reflexão adequada e profunda o sermão ganha ares terapêuticos e não era essa a intenção de Jesus. O mestre não estava passando a mão na cabeça do povo, mas estava cravando a espada de dois gumes no interior do homem, afim de que ele pudesse adentrar nos recônditos mais escondidos e escuros de sua própria alma.

O mundo sublinhou: pede e recebe, procura e acha, bate e se abre. Compreendi então que o homem usa as lentes do interesse quando lê as falas de Jesus, e assim, tudo se reduz a uma procura por uma melhora financeira, e não uma busca eterna. O homem tem encontrado aquilo que quer, e se aberto para aquilo que deseja. Ele tem recebido aquilo que tanto tem pedido. Ele tem corrido desesperadamente atrás da angustia, batido na porta da ansiedade. Está em uma busca frenética das ferrugens do amanhã. O homem decidiu crer naquilo que se encaixa melhor em sua vida, em sua realidade, e na sua personalidade. Essa percepção humana em relação a Deus transformou o homem em um anônimo na platéia, em um cão de uma alcatéia.

Olhando para este momento que se aproxima do fim do Sermão, Jesus conduz suas ovelhas a um passeio pelos vales mais profundos da alma humana. Pelas cavernas do caráter, pelos atalhos da vaidade e nos penhascos da hipocrisia. Aquelas gentes visitaram seu interior como nunca antes haviam experimentado. Na volta, aquele povo passou por um pasto verdejante de tesouros psicológicos e espirituais.

Quem entende as falas de Jesus reconhece nele o verdadeiro Pastor. Aquele que vai a frente conduzindo suas ovelhas. Jesus poderia ficar atrás comandando uma boiada, mas preferiu estar a frente porque antes do homem encarar qualquer circunstancia em sua vida, Jesus já a teria enfrentado primeiro.

Jesus realmente cuidou do homem como nenhum outro líder neste mundo. Não podemos somente reverenciar Jesus pela sua Grandeza, Santidade e Divindade, mas pelo ser humano na mais alta expressão de humanidade que podemos observar.

Jesus revelou ao homem o próprio homem. Revelou o quanto somos estranhos para nós mesmos. Revelou quantas coisas temos escondido dentro do porão da nossa existência. O que Jesus fez no sermão da montanha durante 90% de suas palavras foi proteger o homem de si mesmo. O homem precisava descobrir quem era o seu maior inimigo, e Jesus com uma sublime maestria disse o que todos nós queremos descobrir. Quem é nosso maior inimigo?

Jesus mostrou para o homem a necessidade que temos de nos livrar de nós mesmos, das nossas próprias escolhas, das nossas próprias maldades, das nossas hipocrisias, das nossas motivações, dos nossos desejos, das nossas mentiras, e das nossas, e das nossas, e das nossas. Jesus estava dizendo que depois que o homem faz as pazes consigo, e descobre sua natureza auto-destrutiva, está ele apto a discernir e compreender coisas mais profundas e mais excelentes. Enquanto o homem ainda é seu maior inimigo estará ele mordendo pedras. Enquanto o homem não perceber o quanto faz mal para si mesmo estará jantando cobras. Essa realidade nos torna vítimas de um suicídio, e não de um assassinato, ao contrario do que muito pensam.

Assim como eu disse no começo, o momento em que Jesus decidiu falar deste tema me intrigou e por isso vamos usar uma lente de aumento neste momento.

Jesus termina o texto dos caminhos estreito e largo e diz a palavra: Acautelai-vos.

Poderia Jesus ter usado qualquer expressão para estes homens. Mas ele foi simples, pediu cautela. A cautela não permite que o homem se debruce sobre qualquer verdade. A cautela permite que o homem esteja sóbrio a tomar uma decisão, ou escolher uma caminhada.

Um homem cauteloso é diferente de um homem desconfiado. Ele é cuidadoso em suas conclusões e isso o protege na hora de verificar se o namorado da sua filha é um falso “profeta” do amor. Se o seu amigo é um falso “profeta” da parceria. Se o seu pastor é um falso "profeta" do Senhor. Se o seu colega é um falso “profeta” profissional. Quantos falsos profetas existem em nosso meio, não é mesmo?
Mas como sempre, O mestre estava instigando os homens a pensarem suas próprias atitudes. Quando os homens já haviam descoberto suas porcas e caninas atitudes de lidar com o sagrado e com as verdadeiras riquezas, agora era chegada a hora de descobrir quem na verdade nós somos.
Lobo ou ovelha? Quem sou eu?

Pasmem, mas muitos homens naquela multidão estavam lá cheirando a ovelhas, com pele de ovelhas, andando como ovelhas, mas uivando como lobos.

Lobo, eu? O homem por mais desumano, hipócrita e mau que possa ser jamais vai ler estas palavras de Jesus olhando sob o contexto dos lobos, irá enxergar-se como uma ovelhinha, alvo certo desses lobos roubadores.

Mas vamos ser um pouco verdadeiros com nós mesmos.
Quais são as características dos lobos?

O lobo lucra com os problemas dos outros. É aquele que fica feliz com a angústia e o desastre do próximo. O lobo faz cara de choro, mas está rindo por dentro. O lobo é aquele que vê em uma parceria uma vantagem e não um relacionamento. O lobo é aquele que fere as pessoas que estão mais próximas. O lobo é aquele que rouba a alegria das ovelhas. O lobo é aquele morde, rosna, ameaça. O lobo gera angústia e um clima de pressão no pasto. O lobo não permite que as ovelhas deitem e durmam com tranqüilidade, porque a presença do lobo é sempre amedrontadora. O lobo é aquele que perece ser muito bom para quem está de longe, entretanto, quem está perto dele vive com alguma ferida aberta, causada pelas suas mordidas. O lobo vive pastando como ovelha, mas não pode fugir da sua natureza carnívora. O lobo é aquele que sempre encontra uma razão para morder. O lobo é aquele que usa o passado para rosnar no presente. O lobo até demonstra arrependimento, mas volta a morder novamente. O lobo acredita que é uma ovelha, mas se recusa a chegar perto do Pastor. O lobo é aquele que fica longe, e se camufla no meio de todas as outras ovelhas com o intuito de viver um anonimato que lhe dá oportunidade de agir. O lobo sou eu, o lobo é você, e não adianta colocar a mão no peito e dizer: EU!

É você mesmo. É só olhar para dentro de você que logo irá perceber que você é carnívoro. Que até tentamos ficar comendo grama, mas diante de alguma crise que se revela, o que existe de verdade em nós vem à tona e, nhact! Mordemos com força, e porque isso acontece? Porque viver pastando não é nossa natureza, e diante de qualquer imprevisto a nossa reação é: morder, atacar, sair correndo atrás de uma ovelha para matar a nossa fome de maldade, de separação, de confusão, da angustia que temos. Viver como ovelha sendo lobo é difícil, porque gera atitudes que não são verdades.
É uma vida de aparências. Todos os lobos vivem uma eterna pressão, de parecerem aquilo que na verdade nao são. Isso é um fardo que o homem não consegue carregar, por isso nós estouramos de vez em quando, ou melhor, apenas revelamos o lobo que existe dentro de nós. Talvez por isso muitas pessoas até pensam que fulano mudou, mas apenas está camuflado pela lã da mentira. Enquanto o homem não for realmente uma ovelha, jamais estará farto somente com grama, porque a sua natureza carnívora ainda não foi sepultada.

Quando lemos este texto na perspectiva dos lobos, conseguimos arrancar o cobertor de lã que estamos usando. É difícil, mas confesso que sou um artista na hora de roubar a alegria das pessoas que amo. Sou réu confesso em lembrar o quanto já mordi e rosnei. O quanto já tirei o sono tranqüilo de quem vive perto de mim. Essa é a ainda minha essência canina que vive, mesmo querendo ser uma ovelha.

Olhar para dentro de mim e reconhecer que preciso matar o lobo que existe nos meus esconderijos, revela a minha miséria. Ter cautela com minhas próprias atitudes, trás um enorme ponto de interrogação em minha vida cristã.

Está Jesus dizendo para mim. Tenha cautela com você mesmo, porque você está roubando, porque você está uivando, porque você esta mordendo.

Meu Deus! Continuando a me desmascarar consigo ver o quanto já fiz cara de quem estava triste, mas dentro de mim existia um pouco de felicidade. Quantas vezes demonstrei em meu rosto algo diferente do meu interior. Quantas vezes me senti no direito de torcer contra meus companheiros de time, por causa de alguma circunstância que julguei injusta. Este sou eu sem as traves da religião, da vaidade, da hipocrisia, do egocentrismo, que nos segam e nos impedem de ver nossa miséria. Este é o Carlos Augusto que busca a Deus com verdade e intensidade, mas precisa se libertar dele mesmo, para depois se preocupar em se libertar do outro.

Enquanto este mundo prega a desconfiança e joga a responsabilidade das nossas tristezas e naufrágios no outro, Jesus aponta o dedo para dentro de mim e revela aonde está o meu maior inimigo. Revela de quem eu devo desconfiar, e quais verdades eu devo repensar. Neste espelho me vejo um tanto quanto deformado, mas me vejo em verdade, e isso é o mais importante.
Descobri que não sou tão bom, o quanto sempre sonhei, nem mesmo tão angelical o quanto sempre tive certeza. Acho que me redescobri nestes dias a beira do sermão da montanha. Redescobrir é descobrir de uma forma madura, verdadeira e correta. Aprendi que não basta descobrir é necessário redescobrir, e este verbo só pode ser conjugado com o nome que se chama Jesus.

De tanto os homens se acautelarem de mim, um dia ficarei sozinho. Minhas reflexões caninas vão dizer o quanto o mundo é ruim e eu sou injustiçado, no entanto, quem vive uma vida mordendo o próximo, coloca em fuga as pessoas que ama, e essa realidade não temos como negar. O futuro dos lobos é a solidão. O futuro das ovelhas é a comunhão.

Redescobrir essa verdade inocenta boa parte das pessoas que julgamos.

Descoberto das minhas hipocrisias e dos meus uivos, posso agora ser uma ovelha verdadeira, e não apenas um lobo com aparência de cordeiro.

Só assim o homem conseguirá agir sem estar sob a pressão canina que existe dentro de si. Somente assim o homem poderá perdoar e amar sem realizar um esforço sobrenatural, porque a essência da ovelha é ir para o matadouro muda e calada. A essência da ovelha é morrer sem fazer barulho, e quando morremos para nós mesmos sem gritos e choros, somos herbívoros, porque a realidade canina foi sepultada junto com o lobo que descobrimos dentro de nós.

Este é o homem que nasce de novo. Infelizmente nem mesmo o batismo, nem um culto, nem um rito, nem uma consagração, nem uma benção papal, nem um reunião sobrenatural podem realizar esta metamorfose humana. Transformar-se em uma ovelha é uma escolha humana, até porque todos nascemos latindo e mordendo.

Que o pasto verdejante possa ser aquilo que nos alimenta. Quando isso acontecer estamos perto da realidade divina que fomos chamados a conhecer.

Ou seja, o que posso dizer para você é:

Vai pastar!!!

parte 2 - O lobo que existe em mim

Mais uma vez algo comum no dia a dia humano é usado por Jesus. A arvore e seus frutos. Jesus estava dizendo a cerca da esperança que Deus tem com cada ser humano, porque toda arvore gera uma expectativa. Todas as vezes que plantei uma árvore acompanhei seu crescimento, sua luta contra os insetos, contra o clima, contra a aridez da terra, e todos os outros fatores que podem influenciar o desenvolvimento de uma planta.
Entretanto, não há esperança maior do que o dia que ela floresce. Um homem gera essa expectativa no coração de Deus. Ele é plantado, direcionado, regado, enxertado, adubado, para que dê fruto. Não há outro propósito em uma arvore a não ser o fruto.
Recém cheguei em uma cidade repleta de pés de laranja. Muitas laranjas amarelinhas enfeitam a minha cidade, e aquilo gerou em mim uma expectativa. Como será a fruta? Será que é boa? E não temos nós esta expectativa sobre os homens? Não perguntamos, se o fulano é gente boa? Todos nós estamos buscando frutos bons, pessoas boas, coisas boas. E Deus estaria procurando algo diferente? Depois de alguns dias me arrisquei um pouco ainda tímido em experimentar aquele fruto. Não me lembro de ter comido uma laranja mais azeda em toda a minha vida. Em suma, descobri porque os pés estavam carregados: certamente porque ninguém comia.
Por fim cheguei a conclusão que aquelas arvores eram apenas um enfeite para embelezar as ruas da cidade. Para algumas pessoas, é verdade, isto é o fim dos seus meios, mas certamente para Deus absolutamente não. Enquanto existe uma centena de pessoas embelezando este mundo, Deus está procurando aqueles que possam alimentar esta terra.
Não podemos então fugir desta pergunta difícil novamente. Que arvores somos nós?
Novamente teremos que desconfiar do nosso censo de justiça, e adentrar no mais profundo do nosso ser, sob pena de superficialmente termos a certeza da doçura dos nossos frutos. Certamente a primeira coisa que o nosso ego nos faz enxergar é uma laranjeira com laranjas estupidamente doces, não é mesmo? Mas será que somos esta arvore mesmo? Será que se olharmos para dentro de nós desnudados de nossas hipocrisias podemos realmente encontrar tanta doçura?
Se os nossos uivos e mordidas revelam o lobo que existe em nós, o azedo e o amargo dos frutos revelam a árvore que somos.
Os falsos profetas são homens que certamente vivem de aparências. São homens que estão fardados de atributos visíveis belos e importantes para a sociedade, entretanto são amargos e traiçoeiros.
Jesus atacou a hipocrisia religiosa porque na religião os lobos encontram suas mascaras. Eles fazem orações publicas, fazem generosidades em cima de altares e púlpitos, realizam obras, vestem roupas sacras, vivem com rostos contritos, com adereços santos e bentos, entretanto, quanto mais atributos religiosos o homem possui, mais disfarces ele consegue.
Quem poderia imaginar que um sacerdote estupraria uma criancinha? Quem poderia desconfiar do caráter de um homem que carrega um livro sagrado de baixo do braço? Quem pode questionar a fidelidade destes homens? Quando o homem se envolve dos adereços religiosos ele protege toda a sua malicia, toda a sua miséria, todas as coisas mais escondidos no interior do seu coração. Jamais poderemos imaginar que um homem religioso tenha pensamentos descabidos e impuros, entretanto, eles o têm, porque se o Apóstolo Paulo os teve quando disse “aquilo que quero isso não faço, mas aquilo que odeio isso realizo... miserável homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte”, é porque certamente todos os homens inclusive os mais aparentemente beatos também possuem. O amargo dos seus frutos e a sua pele de cordeiro estão ocultas em meio a sua aparente santidade, devoção e cuidado. A religião se transformaria ao passar dos anos, na lã em que os lobos iriam se esconder, nos frutos belos que os hipócritas iriam se aproveitar.
Os homens se aproveitaram da inocência das ovelhas para lhe arrancarem a lã, lhe quebrarem as pernas, lhe queimarem a gordura.
Ou a religião cristã não se aproveita da fragilidade das ovelhas? Ou vai dizer que a história dela não nega suas mordidas, seus amargos, seus latidos e suas podridões?
Ou estou vendo algo irreal e criado por minha mente, quando vejo altares de ouro, cetros de ouro, palácios, templos enormes, homens ricos “com votos de pobreza”, a custa de quem? Das ovelhas. Foi assando a carne e vendendo a lã que a igreja cristã construiu seu império, seu país, seus dogmas e seu poder. É assim que os evangélicos por trás de Cristo constroem também um neo-império sacro nesses dias.
Acautelai-vos dos religiosos. O que Jesus estava informando ao homem é que não podemos alienar santidade e verdade aos homens sem antes provarmos de seus frutos. Por isso as mulheres e os homens estão vivendo dias tão ruins também em seus casamentos. Vivemos um momento critico na família por falta de cautela. As pessoas se unem conhecendo a cama, o sexo, os desejos, mas não experimentam o fruto. Centenas e centenas de separações estão acontecendo, porque os homens e mulheres casaram com frutos bonitos, mas somente experimentaram o azedo e o amargo um do outro depois que estavam juntos em definitivo.
Acautelai-vos dos falsos profetas que se apresentam em pele de cordeiro do amor, em frutos belos de fidelidade, mas são apenas falsos profetas querendo morder a parte que lhe cabe da felicidade. Olha como Jesus é profundo na hora de cuidar do nosso hoje!
Muitos casamentos terminam com esta fala: “Depois que me casei ele mudou da água para o vinho”! Essa fala revela quantos disfarces o homem se utiliza para ser alguém que nunca foi. O casamento é a transformação da água em vinho. É o colher das uvas doces da vida de duas pessoas, e fermenta-las com o amor de Deus. Esse casamento é maduro e seguro nas tempestades e crises que certamente irão ocorrer.
O casamento é a concretização do que duas pessoas experimentaram uma da outra. Conhecer antes de se entregar a alguém seja quem for, é agir com cautela, e quem é cauteloso está protegido de ser enganado pelos falsos profetas espalhados por todas as áreas deste mundo.

Acautelai-vos...

Parte 3 - O lobo devorador que existe em mim

Ainda neste paralelo de lobos e ovelhas, de figos e abrolhos, e uvas e espinheiros, Jesus caminha pela eternidade e chega “naquele dia”. Este dia será a maior contradição de toda a história. Este dia os lobos serão desmascarados. Neste dia os frutos serão colhidos. Fico imaginando Jesus experimentando os frutos e fazendo cara de azedo, aquela que fazemos quando chupamos um limão.

“Naquele dia” estará uma turma na entrada da porta larga com cartazes e microfones. Uma verdadeira passeata, com panelaço e indignação. Uma infinidade de lideres, de cantores, de artistas, de religiosos, milagreiros, benzedeiros, estarão em cima dos palcos que tanto pisaram em suas vidas. Estarão liderando uma revolta contra a justiça de Deus. Uma centena de pastores, padres, mestres, doutores, diáconos, presbíteros, papas, bispos e os mais variados gurus, estarão se perguntando: o que está acontecendo?
Alguma coisa está errada? Porque a porta se fechou e nós ficamos de fora?
Ouvirão uma voz que lhes dirá: Olha, eu não conheço nenhum de vocês.

Uma fala forte não é mesmo? Ela foi direcionada para aqueles que estão vestidos, mascarados, disfarçados, que estão na festa a fantasia da religião. Uma festa que retira a identidade pecadora do homem, e lhe entrega uma imagem santa e imaculada.
Este disfarce os apóstolos rejeitaram. Paulo e Silas rejeitaram quando foram chamados de deuses. Pedro rejeitou quando Cornélio se ajoelhou diante dele.

Jesus ensinou ao homem uma verdade muito profunda. Embora nossa geração encontre no milagre a representação da presença de Deus na vida de um homem, Jesus nem sequer conhece a maioria deles. Enquanto nós reconhecemos Deus nas manifestações sobrenaturais, Jesus se manifesta nas coisas mais naturais. É no amor, na alegria, no perdão, no carinho, na paciência, na paz, na fidelidade, na bondade, que Jesus se revela.
O que Jesus estava dizendo é que uma centena de homens estão envolvidos com Jesus, mas Jesus não está envolvido com eles. Jesus não conhece os lobos, ele somente sabe os nomes das ovelhas. Por isso naquele dia, mesmo ao som de vaias e protestos, Jesus irá olhar para esta alcatéia de lobos devoradores que operam milagres e prodígios e irá dizer: Não vos conheço!
O homem pode falar eloquentemente de Jesus para os outros, operar curas fenomenais, realizar milagres fantásticos, expelir demônios com genialidade, mas se não tiver amor, nenhuma dessas nobres obras tem valor algum. Se o profeta não falou por amor a vida de quem escutou, tudo foi reduzido a uma palestra. Se o milagre aconteceu por amor, aquele evento se transformou em uma cirurgia. Se alguém expeliu um demônio, mas não foi por amor ao endemoninhado, aquilo foi somente uma sessão psiquiátrica.
O amor é que introduz o homem no caminho estreito, não o milagre.
Jesus está se despedindo do Sermão avisando. Não é o que Deus realiza através do homem que o leva para eternidade, mas aquilo que o homem realiza através de Deus. As curas, os milagres, e tudo que é sobrenatural, é poder de Deus, realizado por Deus através do homem. Entretanto realizar a vontade de Deus é uma ação e uma escolha humana. Amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo. Perdoar e ainda oferecer a outra face. Cuidar do que é sagrado e do que é santo. Ter uma vida de intimidade com Deus com sinceridade. Não julgar o próximo. Buscar realizar estas atitudes que são desconfortáveis para nós mas trazem conforto para os outros. Para Jesus este é o maior milagre que possa existir. Esta é a maior cura que possa ser realizada. Isto é compreender Jesus e isto é que leva o homem para perto do Cristo ressuscitado. Não é o que Deus faz por mim que muda meu caráter e minha história, mas aquilo que eu posso fazer por Deus, que me leva para a eternidade e para a plenitude da alegria e da sabedoria
O homem pode realizar milagres, mas mesmo assim pode estar fora de compasso com a vontade de Deus. Alguém já pensou nisso?
Alguém já pensou que uma grande maioria dos homens que a igreja católica escolheu como santos por causa dos milagres podem estar do lado de fora da porta naquele dia?

E depois disso tudo, Jesus fala uma frase em que eu regozijo o meu espírito! Estarei liberto desta corja que cura em nome do Senhor, esta corja que profetiza em nome do Cristo, este bando que expele demônios em nome de Jesus, esta matilha que opera milagres no nome do divino.
Não encontrarei lá no céu estes homens que monopolizaram o caminho a verdade e a vida. Em meio a caminhada se apoderaram de verdades, e estipularam pedágios para que o homem alcançasse a salvação e a graça de Deus.
Jesus estava dizendo que os lobos davam as mordidas e ofereciam o curativo. Quebravam as pernas das ovelhas e depois eles mesmo engessavam a coitadinha. Esses homens criam os monstros e então aparecem como os caça fantasmas. Essa raça de víboras, estes lobos, estas arvores ruins estarão do lado de fora!!!
Graças a Deus.

Lá de fora tentarão espiar o que está acontecendo lá dentro, e verão os mais humildes, os mais rejeitados, os que tinham fome, os que tinham sede, os mansos, os coitados, os entristecidos, alguns chorões, pulando de alegria na presença de Jesus.
Infelizmente os homens esqueceram que quem é capaz de santificar o homem é Jesus e não algum concilio como alguns pensam. Naquele dia, todos os homens sentados nos tronos deste mundo irão se surpreender ao saber que passaram uma vida dizendo: Senhor, Senhor, e jamais foram conhecidos por Ele.
O desafio do homem é mais do que conhecer a Deus, mas sim ser conhecido por Ele.
O homem que e conhecido por Deus é porque satisfez a expectativa e a esperança que sobre ele Deus colocou.

Por fim é isso.

Acho que esta viagem dentro dos falsos profetas pode render algum entendimento sobre a realidade que vivemos.
Espero que tenha surtido algum efeito prático na vida de quem se aventurou a perder 8 minutos do seu disputado tempo.

Até mais!