quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O privilégio do Perdão


O perdão é privilégio daqueles que escolheram amar sem revanchismos. Daqueles cujo coração foi acalentado pela graça que aceita perder um luta, para ganhar uma batalha. O perdão é derrota vitoriosa, é pequenez grandiosa.

Em Cristo,

Causeway Bay, 27/02/2013

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Fé sem obras


Existe uma grande dificuldade em compreender a palavra Graça nas escrituras, primeiramente porque nós vivemos num mundo em que se trabalha pelo merecimento. A dedicação e o esforço são as forças que geram recompensas materiais concretas. O aprendizado que temos é que o comportamento gera crédito. Enfim, aprendemos com este mundo, que “Deus ajuda quem cedo madruga”.

Compreender a Graça de Deus, em Cristo, embaralha nosso senso de justiça e merecimento. Por exemplo, o ladrão na cruz. Ele não merecia o Paraíso segundo nosso senso religioso. O que ele fez de bom? Quais foram suas obras? E as pessoas que ele maltratou?

Jesus, no entanto, não faz menção acerca de quem ele foi, nem o que fez, mas somente estendeu sua Graça sobre ele. Totalmente injusto. Totalmente imerecido.

Quando Jesus conta a parábola dos trabalhadores da vinha, queria Ele apenas mostrar ao homem que o importante é estar na vinha. Não importa o tempo, nem o trabalho. O que realmente é relevante é aceitar o convite de participar em Cristo. Naquela parábola, aqueles que trabalharam o dia inteiro receberam o mesmo salário, daqueles que trabalharam por somente uma hora. Ou seja, o trabalho e a produção individual de cada um não foi a base da recompensa do Senhor da vinha. O senso religioso então gritou: Isto é injusto!

O filho mais velho, na parábola do filho pródigo protestou a injusta justiça do seu pai, ao sacrificar o Novilho Cevado em comemoração ao retorno do filho mais novo. O mais velho desenvolveu confiança de que estava credenciado para receber algo de bom, por causa do seu comportamento supostamente bom.  

A salvação é essa injustiça. Ela repousa em quem não acredita que a mereça. Salvos estão aqueles que não tentam angariar merecimentos e créditos através de si mesmos. Salvos estão em Jesus, que é a obra de Deus. Salvos estão pela cruz, que é a obra de Cristo. A força gerada por Deus é suficiente para que o homem descanse das suas próprias forças, entendendo que salvação é pela fé, não por obras.

A religião, tenta gerar compromisso em seus fieis, gerando duvidas a respeito da Graça de Deus. Tentam desesperadamente gerar comprometimento humano institucional construindo medos do inferno. Estimulam o cristão trabalhar pela salvação, em vez de aceita-la em seu coração. Querem tirar o homem do repouso de Cristo, para leva-lo ao ativismo do Diabo.

A salvação é gerada em Deus, não no homem. A palavra que nos cura e nos liberta está em Cristo.   Este “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso” é simples demais para as teologias religiosas e para o senso ativista meritório dos cristãos contemporâneos. A religião ainda não compreendeu a profunda simplicidade da injusta justiça de Cristo, porque a fé que deveria estar em Cristo, está nas obras e justiças próprias, na moralidade e no comportamento ético, nos sacrifícios e obrigações religiosas. Estes são os cristos dos cristãos.  

A fé sem obras é morta, porque as obras são a extensão da natureza dos salvos. Quem está salvo não se preocupa em salvar a si mesmo. Não existe trabalho que proporcione salvação, mas a convicção da salvação em Cristo que leva o homem a gerar coisas boas, obras justas, momentos eternos, comportamentos adequados.

Uma visão clara do que se é sem Ele e um desejo profundo de estar Nele. Esta foi a perspectiva do ladrão. Isto é um repouso, é um descanso. Simples assim. Os religiosos não possuem as chaves do Paraíso. Graças a Graça de Deus.

Hong Kong, Causeway Bay 15/02/2013   

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A feliz-cidade


 

As crianças sabem desenhar a feliz-cidade. Com algumas retas, uma casinha com chaminé. Uma arvore ao lado, uma família de mãos dadas e pronto. Nada mais é preciso.  

A essência da felicidade infantil é a união. Talvez, umas das primeiras convicções humanas que permeiam nosso intelecto seja o senso da necessidade da família. As crianças nascem sabendo aquilo que os adultos precisam estudar para entender.

As mãos dadas é que geram sentido para o sol atrás das montanhas, para as cores das pétalas das flores.  Mande uma criança desenhar sua felicidade e lá estará sua família. A feliz-cidade é um lugar onde as montanhas são apenas cenários, não enormes obstáculos. A feliz-cidade é dar a mão, é dar vida, é dar amor, é dar atenção.

As crianças são professores. Nós seus aprendizes. Em seus desenhos tão rabiscados revelam toda nossa estupidez. Se os adultos desenhassem a alegria, faltariam pessoas, sobrariam coisas. Tudo seria abstrato, impossível de descrever. Tudo seria egoísmo, difícil de explicar.  

A feliz-cidade é ter mãos dadas com alguém. A triste-cidade é ter mãos, mas não ter o alguém. Os desenhos infantis rabiscam nossa insensatez, desdenham da nossa ignorância, porque largamos as mãos para ter as coisas, e no fim, tentamos usar as coisas para reatar as mãos.

Deus nos ajude!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A engenhoca da oração



A engenhoca do evangelho moderno é conhecer o segredo de se tornar digno. A força humana que se propaga em descobrir a verdade evangélica é possuir a força de mover os vetores e os engenhos que movem os moinhos, e que assim, produzem fortunas. A Luz que se propaga entre nós não é a Luz que surgiu através de uma Palavra, mas da força humana em inventar, em fazer, em trabalhar, em sacrificar, em orar, em realizar.

Ninguém que tenha vislumbrado Jesus compreende o mistério da inércia da salvação. Tudo que é divino é gerado a partir da impossibilidade dos braços humanos, e tudo que é maligno, acontece da força do braço mundano.

Deus gera luz pela palavra Dele, não pelas nossas. Deus faz acontecer através do tempo dele, não dos lúgubres ativismos religiosos. Não entenderá o homem que sua oração somente é oração quando deixa de ser uma ação, para ser uma relação. Os sacrifícios da ação das palavras geram apenas confiança no cérebro, mas engano no coração. A relação em Deus compreende que o mundo foi transformado antes mesmo de ser inventado, isto, feito pelo Cordeiro já imolado.

A oração somente é oração quando não possui o ativismo do querer, mas a inércia do entregar. A oração somente é oração quando é um papo, uma troca, um, “o que você acha, Papai?”.

A oração, quando não compreendida profundamente, se torna na maior engenhoca humana em obter luz própria, mas não a Luz de Deus. É movida pelo desejo de ter respostas aos sacrifícios, mas não pelo amor das descobertas que somente uma relação pode proporcionar. Se o evangelho é deturpado veementemente e ninguém consegue ver, nem mesmo ler, imagine a oração, que é algo íntimo, interno, intrínseco.

O que precisamos de fato são gemidos inexprimíveis, que não são compreendidos por nossa mente carnal, nem pelo nosso espirito individualista. Não. Nós, ainda não aprendemos a orar como convém. Deus é quem move os geradores da oração. E qualquer oração, que seja apenas uma ação, não passa da mais pobre ficção.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um outro ângulo para viver


Cada ser humano possui um ângulo e uma percepção da vida. Nada é profundamente idêntico em nós. A genética jamais se repetiu em dois homens. Se Deus fez o homem assim tão diferente um do outro, logo, qualquer ideologia, religião, pensamento que furte esta condição de ineditismo por parte do ser humano, o torna apenas um produto industrial da fábrica moderna.

Os ângulos que enxergo a vida estão todos condicionados a realidade histórica, emocional, regional que estive introduzido. Meus conceitos acerca do amor, de Deus, da vida, são profundamente diferentes daquele que nasceram na África, no Canadá, em Hong Kong, ou meus irmãos, que nasceram e viveram sempre ao meu lado.

Desta forma, qualquer discurso possui uma pitada autobiográfica. Qualquer coisa que o homem fale é linear ao ângulo que ele enxerga. Assim os religiosos e os lideres políticos entoaram discursos, falaram suas verdades, influenciaram multidões.

Letra por letra, todas as religiões possuem a sua, e falando acerca do cristianismo e do seu código em Letras, as palavras transformaram-se em base de argumentação, não na Luz do entendimento. Entretanto, a Palavra não nasceu através das letras, mas do Espírito. O cristianismo ideologizado pela teologia dos pensadores passou a ser uma grande raiz de pensamento, mas uma infértil forma de viver. O homem que encontra o Espírito da Palavra discerne as Letras não como códigos, mas como vida, como LUZ. Desta forma, liberto está da necessidade de mostrar sabedoria. Livre está de toda forma de demonstrar retórica.

As questões teológicas nada mais são que discussões acerca de códigos humanos, não de ideias divinas. O cristianismo ideológico e comportamental promovido pela religião de Constantino, nunca soube compreender poderosamente o poder de convencimento do Espirito de Deus. A religião cristã sobreviveu de argumentos em textos, sem contextos e em códigos que até mesmo seus maiores sábios sequer descobriram o mais profundo sentido. No vazio de encontrar respostas as suas próprias perguntas, a religião criou seus códigos, suas leis, flagelando a própria plenitude da Palavra, que transformada em letra, gerou morte, desgraça, separação, angustia, sentimento de culpa, flagelos, torturas físicas e psicológicas, infernos existenciais, pedágios e purgatórios, e mais uma centena de consequências na alma do ser humano.

A religião codificou Deus, oportunizando que o mundo enxergasse seu deus do mesmo ângulo a quase dois mil anos. Desta maneira, a “fé” foi uma fábrica de transformação em massa, racionando as diferenças e as variedades de pensamentos em uma perspectiva. Deus fez o homem diferente, porque a diversidade humana de pensamento, raciocínio, entendimento, sabedoria é uma ameaça ao totalitarismo.

Jesus amou a variedade de línguas, de ideias e pensamentos. As culturas, as artes, as belezas. Jamais desejou que os homens fossem um bando de iguais, pensando a mesma coisa, decorando as mesmas orações, falando acerca das mesmas perspectivas. De fato, isso é uma reprodução industrial que  facilitou a vida daqueles cujo Deus é uma religião.

Ninguém possui uma verdade, até que a Verdade faça de fato parte do seu existir. Nada, nem mesmo confissões, nem mesmo bons comportamentos, promovem no homem a argumentação ideal. Jesus não argumentou uma teologia acerca de Deus, e desta forma pessoas se convenceram de sua doutrina. Ele amou dois tipos de pessoas. Aqueles que não mereciam ser amados e aqueles que achavam que mereciam. Na verdade, o amor de Jesus foi sua mais extraordinária Palavra, e foi na perspectiva deste amor que os homens se renderam.

Os discursos religiosos estão tão preocupados em defender princípios e ideias, que a única coisa que possuem de mais profundo são seus códigos retóricos. A argumentação religiosa é de convencimento. O Espirito da Palavra é promover liberdade de pensamento.

Jesus chamou homens nascidos em lugares diferentes, com profissões distintas, gerando assim perspectivas completamente opostas para caminharem ao seu lado. Doze homens significam doze ângulos, ideias, percepções, perguntas, imagens nada semelhantes uma a outra. No entanto, eles foram chamados ver Deus a partir de Jesus, e qualquer ângulo que o homem enxergue o Cristo, possui um vislumbre da natureza do PAI. Os quatro evangelistas fotografaram Jesus de forma distinta, porque vivenciaram momentos semelhantes, mas em seu interior, a intensidade foi totalmente diferente.

Essa é a realidade em Cristo. Ter uma visão Dele de um ângulo intimo e pessoal. Cada ser humano possui uma visão panorâmica em Deus, que revela a complexidade, a grandeza, a insondabilidade do Deus que vive.  

Jesus chamou o homem a Viver a Verdade, não para elaborar discursos sobre ela. Jesus não é motivo de argumentos, nem mesmo suas palavras possuem esse propósito. Ele é motivo de adoração e a palavra é o vislumbre de sua Graça. A ausência da adoração genuína gerou a necessidade de concentrar a vida nos argumentos da verdade, sem, no entanto, vive-la de fato. Saber sobre Deus não significa conhecer Deus. Não foram os argumentos de Jesus que convenceram gerações e gerações a se prostrar diante dele, mas a convicção que suas palavras não foram códigos, mas Vida e Verdade.

Ele é o ponto de convergência de todo aquele que nele crê e partir disso nos tornamos semelhantes. Sendo semelhantes Nele, o homem não precisa ser igual a nada, porque se torna diferente de tudo, ao passo que vive uma semelhança com todos. O que nos torna parecidos, irmãos, muito embora sejamos diferentes, não é a igualdade de comportamentos, mas o ser imagem e semelhança de Cristo. A matemática que torna pleno este mundo cheio de variedades são as diferenças. São elas que tornam um casamento completo. A ideia não é encontrar algum paralelo, mas algo que venha convergir. Não é a igualdade que promove felicidade, é a diferença. Talvez este seja nosso maior problema. Quanto mais diferente somos, mais perto da plenitude estaremos. A felicidade é fruto das variedades, das diferenças, das pluralidades.

A tentativa religiosa em unificar o homem através de um comportamento promoveu repressão. Reprimidos pela perspectiva religiosa a humanidade perdeu a variedade de talentos de milhares de homens que tiveram que se adequar a previsibilidade. A liberdade que Cristo nos proporcionou está em aceitar as diferenças, as cores, as raças e até mesmo as religiões. É enxergar no mundo das diversidades a grandeza infinita daquele que nos criou. É perceber a quantidade de ideias, animais, pensamentos, pessoas. É ver na infinitude de percepções um horizonte enorme de ângulos pelos quais podemos enxergar a vida, Deus, o amor. A partir desta liberdade em Cristo, o homem deixa de lado seus argumentos, para então amar indiscriminadamente o outro, sem interesses religiosos, sem barganhas. Tão somente o outro é suficiente para o amor.

Deus é diferente. Ele não é semelhante ao que imaginamos. Até hoje nenhum homem conseguiu convencer o outro a amar a Deus. Quem faz isso é o Espirito Santo. Quem realmente convenceu de fato uma nação e quase o mundo inteiro foi Hitler. O único poder de convencimento humano é aquele que acontece para a morte. Talvez por isso, que a religião, seja de fato, o maior cemitério de ideias, pensamentos, diferenças e variedades.

Gabi, de frente com Silas.


“Eis que este menino será destinado para a ruina, como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição”. (Lucas 2;34)

Depois da entrevista de Silas Malafaia no programa de frente com Gabi entristeceu-me a alma. De fato, não estou abismado com o fulano de fala forte. Ele conhece muito bem letras, que juntas formam frases, não a Palavra, que junta forma um Espírito. Estou profundamente abismado com a manifestação das pessoas.

Elas adoraram as falas do fulano. Vibraram com as respostas. Chamaram de coragem e defesa do evangelho. Algo me lembrou de um cenário parecido. Os judeus a quase dois mil anos atrás. Ante ao Sinédrio estavam multidões corajosamente pedindo a morte de um Galileu que defendia o direito das prostitutas. Para isso, usavam as pedras para matar as adúlteras, as orações altas para impressionar os leigos. Os judeus tinham muitos motivos para acusar. Suas letras eram vastas de oportunismos para o ódio.

Os fariseus eram protestantes do humanismo judaico. Este grupo surgira de homens que não permitiam que as escrituras e as leis de Deus fossem abandonadas pela cultura popular de outros povos. Eles eram pessoas boas, caridosas, que estudavam as Leis, e aplicavam em suas vidas os ensinamentos da Palavra. O problema é que por serem tão cuidadosos e justos, passaram a enxergar os outros de forma equivocada. Eles passaram a se orgulhar da sua própria bondade, da sua própria justiça. As suas bondades, as suas orações, os seus jejuns, perderam o proposito espiritual intrínseco para serem apenas ferramentas para demonstrar sua religião. Tudo que, outrora era espiritual, se tornou apenas um motivo carnal. Ao trombarem com o filho de Deus, se escandalizaram. Impuro, diabólico, louco e samaritano! A justiça de Cristo e a justiça dos protestantes judaicos não estava em concordância. Eles entendiam justiça como matar o pecador. Jesus entendia justiça com matar o pecado, libertando o pecador. Temos motivos de sobra para imaginar a confusão que Cristo causaria em nosso senso espiritual protestante. Se Ele estivesse caminhando por entre as ruas de nossos bairros pobres, nós iriamos exercer protestos veementes, defendendo a ideologia e moral cristã. Os religiosos, que dizem que não são religiosos, iriam se escandalizar com o amor e com a Graça. Eles odiariam a justiça injusta que o Filho de Deus promoveria. Ao saberem que Jesus havia transformado agua em cerveja, dançado da festa de um casamento e convidado Renan Calheiros para ser seu discípulo, os apóstolos modernos iriam esbravejar sua ira, seu ódio, gritando: Samaritano! Endemoninhado! Belzebu! Louco!

Durante mais de 40 minutos vi uma entrevista. O nome de Jesus foi posto de lado pela ideologia pessoal, pelas explicações pessoais financeiras, e por um dedo em riste. Os cristãos adoram este tipo de postura, porque os religiosos são mais políticos do que espirituais. Cedem muito mais a um acalorado papagaio do que a um sábio silencioso. Durante aquele tempo, uma religião estava sendo defendida, mas o Cristo sendo pisado.

Os apóstolos, então, se reuniriam em um de seus castelos ou fazendas para darem um fim neste pobre homem que anda pelas ruas pervertendo a fé cristã das suas ovelhas. Ele não está de acordo com Malaquias! Ele está se sentando a roda com escarnecedores! Ele estava com prostitutas! Ele é um demônio!

Os protestantes de ontem foram tão justos aos seus próprios olhos que Jesus foi um escândalo para eles. Nada diferente do que acontece conosco. Jesus não caberia em nosso escopo religioso, nem em nossa doutrina domesticada. Não caberia em nossas coleiras, nem em nossos bolsos. Preferimos os Malafaias, os Caifazes, porque o prêmio de suas letras cabe em nossa vaidade religiosa de ter, ganhar e consumir.

Jesus levantou a voz somente uma vez, e foi ante a casa de seu Pai sendo roubada por estes “justos” senhores que lideravam os serviços “espirituais”. Jesus foi uma loucura para a sociedade religiosa e justa do século I. Para os pecadores ele foi óleo de alegria, para os religiosos frequentadores de templos, um louco, um doente, um blasfemo. Grande surpresa será quando ele, como ladrão roubar aquilo que é seu. Grande contradição será o céu, cheio de pecadores imerecidos, e o mundo cheio de justos merecedores.

O mundo, os leprosos, até mesmo Pilatos e Gabi estão mais perto de Deus do que os fariseus, do que os protestantes, do que os puritanos.  Os religiosos não precisam de mais nada. Eles possuem a letra, profetas, cadeiras e um grupo de louvor. Eles são justos, são fieis, são dizimistas e leem a palavra antes de dormir. As vezes, eles sobem montes, fazem jejuns de coca-cola e ainda oram de madrugada. Os fariseus protestantes do século XXI não precisam de nada, a não ser alguém que fale aquilo que desejam ouvir. Eles são tão bons, que são o que existe de mais grotesco, ruim e perverso em nossa sociedade. São raças de víboras, são hipócritas, são mentirosos, são enganadores.

Este mesmo evento aconteceu na vinda de Cristo. Este mesmo evento está acontecendo na volta Dele. Desconfio que o mundo, no entanto, está profetizando para os profetas, ansiando conhecer o Deus que perdoa, que agracia, que não levanta dedos, nem faz acusações.
Os fariseus somente iriam conseguir sobreviver se Jesus morresse. Temo que para nós, a matemática seja a mesma.

De fato, Não foi o Silas que esteve de frente com Gabi, mas a Gabi com o Silas. Pois nela está o desejo incessante de absolver. Nele o desejo mais perverso de condenar. Que o Deus da Gabi, que não é o mesmo deus do Silas, o perdoe.
Hong Kong, Causeway Bay 06/02/2013
Carlos Bertoldi


 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A mensagem de Vinicius Montardo

Jesus costumava falar de um amor abnegado, que oferta a vida em favor dos seus amigos. Neste ultimo final de semana, para salvar a vida de quatorze amigos, Vinicius Montardo entregou a sua. Este pequenino estudante provocou uma das mais relevantes mensagens de todo este Brasil cheio de religião.

Sua mensagem foi sem amuletos e palavras. Não teve versículos decorados, nem músicas ensaiadas. Não foi gospel, nem próspera, nem vitoriosa.  Em sua mensagem apenas a profundidade de um amor que nega o direito da sua própria vida, em favor do outro. Calem-se os profetas da prosperidade ante esta sementinha de Montardo. Cale-se a vaidade e o culto a si mesmo em nome de um suposto "Jesus".

O desafio de Montardo foi romper com a negridão da fumaça. Talvez este seja o desafio de todos nós. Desenvolver a coragem suficiente para não permitir que meu EU sobreviva, enquanto meus amores sucumbem. A vida não tem sentido, sem lutar por aqueles que amamos. Talvez, de fato, o homem precisa morrer para as próprias vaidades e entregar-se voluntariamente ao outro. Este é o segredo do amor verdadeiro. Esta é a semente de mostarda, que o Montardo, semeou naquele lugar infértil, árido e desesperador.
Quem salva o outro, não precisa salvar a si mesmo, porque este, já tem quem o salve.
Nele, que é a Luz, a Brisa, o Consolo.
Hong Kong, 01/02/2013 Causeway Bay, 21;14